Os Agentes do Destino poderia ser um filme de tirar o fôlego, mas o romance dá ar suficiente para o espectador relaxar na poltrona. No novo longa da Universal Pictures, Matt Damon (Invictus) e Emily Blunt (O Lobisomem) têm performances extraordinárias.
O ambicioso político David Norris (Damon) é candidato a Senador dos Estados Unidos. Prestes a fazer um discurso para uma multidão, ele conhece a dançarina de balé Elise Sellas (Blunt). A simpatia rola entre os personagens e dali, sai um único beijo que pode mudar o futuro dos dois. Essa mudança ameaça os planos que estão previstos para eles, e tal ameaça obriga os Agentes do Destino a agirem.
Na trama, os tais agentes controlam tudo que acontece na vida das pessoas. Cada ser humano tem um futuro escrito e de maneira nenhuma a trajetória pode ser desviada ou modificada. O beijo entre David e Elise muda o curso da vida deles e preocupados, os homens da organização secreta agem para separá-los. Forma-se uma tensão no filme que é passada para o espectador de forma que o insere no contexto.
Eles passam anos sem se ver, porém, não sabem que suas vidas foram modificadas propositalmente. Mas David não desiste. Determinado a reencontrar a mulher que acredita amar verdadeiramente, ele insiste em procurá-la. Os Agentes do Destino observam as vidas dos personagens para tentar impedir que eles se encontrem por acaso. Por isso fazem diversos “ajustes” na rotina dos dois, para driblar os encontros inusitados. Esses “ajustes” são agoniantes, chatos, exagerados e perturbadores, causando talvez o efeito desejado pelo diretor estreante George Nolfi.

Os Agentes do Destino são comandados por um superior, que não é Deus. Confuso?
Matt Damon consegue transmitir a sensação de medo em várias cenas. Fugindo de um grupo de homens totalmente sozinho, seu personagem [David] abre mão de tudo para reaver a mulher com quem se beijou e ficou eternamente conectado.
Cenas externas rodadas em Nova York são palco da maioria das cenas de ação no filme. Perseguições bem filmadas e um uso moderado de efeitos especiais — e também visuais.
Um ponto bastante fraco no roteiro é o argumento usado pelos Agentes para impedir a união dos dois. Segundo eles, caso os personagens fiquem juntos, David não terá sucesso na carreira política e Elise não terá sucesso na carreira de dançarina. Estas, no entanto, não parecem consequências tão graves. É como se fossem piores do que a morte.
Em um mundo onde a cultura prega que o importante é ser feliz, isto vai contra o estilo de vida da maioria da população mundial. E no enredo são por apenas estes fatores que os personagens estão fadados a ficarem separados, mesmo querendo estar juntos, se amando e sendo felizes. Ou seja, toda a trama do filme gira em torno de uma base tosca e sem fundamentos relevantes.
Se torna cansativo ver tanta ação bem montada, com tanto potencial para agradar aos fãs de ficção-científica, com um motivo tão fraco por trás. Mas, é tolerável.

Matt Damon e Emily Blunt têm performances extraordinárias em Os Agentes do Destino.
Por outro lado, a abordagem sai da perseguição para o romance em diversas cenas; Matt Damon e Emily Blunt combinam como casal, e conseguem convencer. Seus personagens se entregam à história, abrindo mão dos futuros que estavam escritos e lutando pra tentar se unir, mostrando que o amor é mais importante e que as escolhas se sobrepõem ao destino.
A premissa final – e maior de todas – que fica é a de que o verdadeiro destino é cada um quem constrói. Uma lição de moral sobre valores e livre arbítrio.








